Doença transmitida por vetor versus produtos químicos em repelentes contra insetos: Avaliação dos riscos

Doença transmitida por vetor versus produtos químicos em repelentes contra insetos: Avaliação dos riscos

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Em lugares com climas quentes e úmidos surgem notícias de disseminação de doenças por mosquitos e carrapatos. Ouvimos também preocupações relacionadas aos repelentes contra insetos que deveríamos usar para nos proteger. O que exatamente as pessoas deveriam fazer? Em que informações devemos acreditar? Como decidir a melhor forma de proteger você e a sua família das picadas, da doença e também dos produtos químicos que são ao mesmo tempo prejudiciais? Nesse momento, se trancar em casa até o inverno pode parecer a única opção.

Não se preocupe. O importante é analisar se os riscos associados a cada doença transmitida por vetor são mais ou menos preocupantes do que os riscos associados aos produtos químicos encontrados em repelentes contra insetos. Eis aqui os detalhes desses riscos.

Enquanto doenças transmitidas por vetor se referem a enfermidades transmitidas por muitos tipos de insetos, vamos nos concentrar nos mosquitos e carrapatos.

Observe que a gravidade de cada doença transmitida por vetor e os impactos das aplicações descritas abaixo podem diferir com base nas condições individuais de cada idade, status de saúde pré-determinado, acesso à assistência médica, etc. Se tiver dúvidas ou considerações, fale com nosso clínico.

Doenças transmitidas por mosquito

Vírus do oeste do Nilo (WNV) – O WNV é encontrado em todos os 48 Estados continentais. O número de casos varia anualmente. 2012 foi o ano mais letal com 286 mortes.

  • As notícias ruins: Aqueles que padecem os sintomas normalmente terão dores de cabeça, dores no corpo, dor nas articulações, vômito, diarreia e/ou erupções cutâneas em cerca de uma semana da picada infecciosa. Em alguns casos, fadiga e fraqueza podem durar por meses. Em casos mais graves, as pessoas podem até desenvolver doenças neurológicas como encefalite ou meningite. Cerca de 10% dessas pessoas morrem. Não há medicamentos ou tratamentos para o WNV além de medicação para dor para reduzir a febre ou aliviar alguns dos sintomas. Aqueles que sofrem sintomas mais graves podem ser hospitalizados.
  • As notícias boas: Nem todas as pessoas picadas por um mosquito infectado apresentará os sintomas.

Vírus da encefalite equina do leste (EEEV) – Nos Estados Unidos, uma média de seis casos humanos de EEE são relatados anualmente. Os casos ocorrem mais comumente nos Estados da Costa do Golfo e Atlântico, apesar de também ter havido alguns casos na região dos grandes lagos.

  • As notícias ruins:  O EEE pode ser muito grave. Casos graves incluem dor de cabeça, febre alta, calafrios e vômitos que podem progredir para desorientação, convulsões, encefalite e coma. Aproximadamente um terço dos pacientes que desenvolvem EEE morre e muitos dos que sobrevivem apresentam danos leves a moderados no cérebro. Alguns dos efeitos de longo prazo podem causar morte alguns anos depois. Não há tratamento antivirótico específico para o EEE; as pessoas que apresentam sintomas devem se consultar com um médico que pode determinar se o tratamento de suporte é necessário e disponível.
  • As notícias boas: A maioria dos casos não apresenta nenhum sintoma e apenas cerca de 4 a 5% dos casos de EEEV se tornam EEE.

Chikungunya – Embora tenha havido apenas quatro casos relatados de chikungunya localmente adquiridos nos EUA, especialistas estão preocupados porque a doença é disseminada muito rapidamente. O vírus da chikungunya alcançou a primeira vez o Caribe em dezembro de 2013, e até março de 2014 houve 15.000 casos relatados. O chikungunya foi identificado atualmente em quase 40 países da Ásia, África, Europa e, mais recentemente, nas Américas.

  • As notícias ruins:  Quase todos aqueles que são picados por um mosquito infectado desenvolvem febre e dor nas articulações; outros sintomas podem também incluir dores de cabeça, dores musculares, inchaço nas articulações e erupções cutâneas. A dor articular é frequentemente muito debilitante, mas normalmente dura por alguns dias ou possivelmente semanas. Em alguns casos, as dores articulares podem continuar por meses ou anos. Houve alguns casos relatados de complicações gastrointestinais, oculares, neurológicas e cardíacas duradouras. Não há tratamento para o chikungunya além de medicamentos contra dor para reduzir o desconforto.
  • As notícias boas: A maioria das pessoas se recupera totalmente.

Vírus da dengue – De acordo com o CDC, há mais de 100 milhões de casos de dengue em todo o mundo a cada ano. É a causa principal de morte em muitas áreas tropicais do mundo. Embora não seja normalmente encontrada nos EUA continental, a dengue é endêmica em Porto Rico e em muitas partes da América Latina, sudeste da Ásia e Ilhas do Pacífico onde os americanos passam as férias.

  • As notícias ruins: Os sintomas típicos incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dor intensa trás dos olhos, dor nas articulações, dor muscular e nos ossos, erupções cutâneas e sangramento leve (por exemplo, sangramento do nariz e gengivas, facilidade em ter hematomas). A dengue hemorrágica, forma mais grave do vírus da dengue, é caracterizada por uma febre que dura de 2 a 7 dias. Pode ser fatal se não detectada e não tratada apropriadamente em tempo hábil.
  • As notícias boas: A detecção e o tratamento precoce diminuirão as taxas de fatalidade para menos de 1%.

Doenças transmitidas por carrapato

Lyme – De acordo com o CDC, a doença de Lyme é a doença transmitida por vetor mais comumente relatada nos Estados Unidos com mais de 20.000 casos anuais. Entretanto, ela não ocorre em todo o país e tende a estar profundamente concentrada no noroeste e parte superior do meio-oeste.

  • As notícias ruins: O eritema crônico migratório ocorre em 70-80% das pessoas infectadas. Outros sintomas incluem fadiga, calafrios, febre, dores de cabeça, dores musculares e nas articulações e inchado dos linfonodos. De 10 a 20% dos casos tratados com antibióticos apresentam dores musculares e nas articulações, defeitos cognitivos, distúrbio do sono ou fadiga que duram meses ou mesmo anos. Em casos muito raros (1% dos casos), a bactéria da doença de Lyme pode entrar no tecido cardíaco causando cardite de Lyme, que pode ser fatal.
  • As notícias boas: Os pacientes podem ser tratados com antibióticos e o prognóstico é melhor quando o tratamento é precoce.

Febre maculosa – Disseminada pela picada de um carrapato infectado, a febre maculosa ocorre em todos os Estados Unidos.

  • As notícias ruins: Os sintomas normalmente começam com febre repentina e dores de cabeça, mas muitos pacientes eventualmente desenvolvem erupção cutânea, dor de estômago, náusea, fadiga ou dores musculares. (Nem todos os casos desenvolvem todos os sintomas.) Casos graves podem levar a complicações para o resto da vida, como problemas neurológicos e danos aos órgãos internos. Em casos extremamente raros (menos de 1% dos casos), a febre maculosa pode ser fatal. O diagnóstico pode ser difícil pois os sintomas se parecem aos de outras doenças, e os testes de diagnóstico que procuram anticorpos são frequentemente negativos nos primeiros 7-10 dias. O tratamento é mais bem-sucedido se iniciado nos primeiros cinco dias.
  • As notícias boas: Embora o número de casos tem sido maior que o normal, a taxa de fatalidade é sempre baixa.

Repelentes contra insetos – Estes produtos químicos foram determinados como sendo os mais eficazes para evitar as picadas de mosquito e de carrapato:

DEET

  • As notícias ruins: O DEET está vinculado a vários riscos à saúde, como irritação da pele, irritação nos olhos e até mesmo danos neurológicos. Mas esses casos são muito raros, e muitos estudos demonstraram que a conexão entre o DEET e vários riscos graves à saúde não é conclusiva.
  • As notícias boas: O DEET é amplamente tido como o produto químico mais eficaz como repelente pessoal de insetos. Ele funciona! Melhor ainda, usar o DEET com cuidado parece limitar significativamente qualquer risco grave; de fato, muitos agora acham que o DEET é mais seguro do que se acreditava. Ao usar concentrações mais baixas (10-30% para crianças), usando apenas quando é necessário e seguindo as instruções do rótulo, os benefícios do DEET compensa muito qualquer risco.

Picaridin

  • As notícias ruins: O Picaridin não foi tão eficaz por um longo período de tempo como o DEET em alguns estudos. Ele também não protege contra todas as espécies de mosquitos. O Picaridin também é relativamente novo no mercado, portanto os dados de vigilância ainda estão em falta.
  • As notícias boas: O Picaridin é estruturalmente feito de produtos químicos do pimentão, portanto é mais natural que o DEET. Tem menor probabilidade de irritar a pele, não tem o mesmo odor forte que o DEET e parece ter um perfil mais seguro que o DEET.

IR3535

  • As notícias ruins: Concentrações menores que 10% foram consideradas ineficazes. O IR3535 pode ser muito irritante para os olhos e foi demonstrado que danifica plásticos.
  • As notícias boas: O IR3535 tem sido usado na Europa por mais de 20 anos. Tem um perfil mais seguro que os concorrentes.

Óleo de eucalipto-limão e para-mentano-diol (PMD – concentração sintética do óleo de eucalipto-limão)

  • As notícias ruins: O óleo de eucalipto-limão enriquecido com PMD não é recomendado para crianças com menos de 3 anos de idade. Pode ser irritante para os pulmões e causar possíveis reações alérgicas. O tempo de proteção parece ser menor que o DEET.
  • As notícias boas: Maiores concentrações parecem ser tão eficazes quanto ao DEET de 15-20%. Embora concentrações menores reduzam o risco de reações alérgicas e irritação ao pulmão, elas são consideravelmente menos eficazes em repelir mosquitos e carrapatos. Para os que insistem em um repelente botânico, essa é considerada a melhor opção.

Então, qual é a resposta para nossa pergunta inicial? Bem, não é tão fácil assim. Não há uma resposta certa para cada pessoa em cada situação. Doenças transmitidas por vetor apresentam um risco sério à saúde que deve ser evitado. O DEET é o produto químico mais eficaz disponível para repelir insetos e estudos demonstraram que o risco é menor e a eficácia ainda é alta ao usar concentrações abaixo de 30%. Os outros produtos químicos listados acima também podem ser opções razoáveis para você e sua família.

Nossa recomendação: Os benefícios associados aos produtos químicos compensam muito os riscos. Usar calças e blusas compridas, usar chapéu e eliminar água parada também são ações que ajudarão a diminuir o risco de mosquitos e carrapatos. Mas a melhor forma de evitar doenças transmitidas por vetor é usar repelente contra insetos quando você estiver em uma área com alta incidência de mosquitos e carrapatos.